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Cuidando do Missionário

O missionário deve ser recebido com amor. Geralmente chega cansado do campo, e com muitas dores a ser tratadas. Não precisa de um acolhimento de herói, mas de um ser humano querido. Que a liderança da igreja e da missão dê assistência pastoral ao missionário, ouvindo-o, sabendo como ele está como pessoa, quais são suas lutas e dores, em que área ele precisa de ajuda.”

(Depoimento de um missionário brasileiro)

Fui despertada para a grande necessidade de prestar cuidados ao missionário durante meus dez anos de serviço como missionária, num contexto de guerra e extrema pobreza, sob um governo marxista. Como missionários, passamos ali por vários tipos de sofrimento: malária, momentos de extrema violência, restrições religiosas e o confronto diário com a miséria do povo. Pesou muito a falta de um preparo mais específico e a falta de um apoio adequado para perseverar. Não devemos impor às novas gerações de missionários, em contextos também difíceis, a mesma falta de apoio. Alguns obtêm crescimento nessas situações, mas outros voltam feridos.

Voltei ao Brasil com a visão de formar novos missionários e de ajudar no cuidado pastoral. Encontrei a oportunidade para esse serviço no CEM (Centro Evangélico de Missões).

Viver num contexto transcultural exerce grandes pressões emocionais e espirituais. No princípio, a pessoa se sente desorientada e, muitas vezes, solitária. Quando volta à terra natal, se sente novamente um estrangeiro; muitos atravessam um período de depressão nessa fase. Precisam de cuidado pastoral e psicológico, e de momentos de restauração.

A primeira Consulta sobre o Cuidado do Missionário, organizada pela AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) e APMB (Associação de Professores de Missões do Brasil) foi realizada em 1999. Vários participantes ficaram inspirados e encorajados com o que ouviram e aprenderam. Foi criado o CIM (Cuidado Integral do Missionário),1 que procura servir missionários de qualquer campo, agência/junta ou igreja.

O CIM é composto por missionários experientes, líderes de agências, pastores, treinadores e psicólogos — pessoas que trabalham no preparo pré-campo, visitam missionários no campo, organizam encontros de restauração, praticam o debriefing (um ouvir focado nas experiências e lutas do missionário) e organizam consultas sobre temas do cuidado do missionário. Além disso, indicam locais onde missionários cansados podem descansar, recebendo apoio pastoral, e pensam no apoio específico para os seus filhos.

O CIM também atua na área de publicações, promovendo livros, como O cuidado integral do missionário (Descoberta) e, mais recentemente, Missionários feridos: como cuidar dos que servem (Ultimato). Este livro apresenta um estudo sobre vários contextos de sofrimento. Mostra como Jesus e o apóstolo Paulo lidaram com o sofrimento em sua vida e ministério, e como prepararam seus discípulos para perseverar em meio ao sofrimento. O livro traz também os resultados de uma pesquisa que ouviu o que missionários brasileiros tinham a dizer sobre suas lutas e necessidades, e sobre o apoio que precisavam receber.

Notas:

1. Blog http://cuidadointegral.info – Secretaria executiva: cuidadomissionario.cim@gmail.com.

Por Antonia Leonora van der Meer